Deixo-me, incauto,
soprar por ventos inertes,
que em mim na mudam, nada causam,
senão o advento do fim inerente.
Uma vontade imensa, de quietude,
dada, debalde, pelo Ciclo da Efemeridade,
invade-me os membros,
num pesaroso repúdio de mim mesmo.
Opacidade, brumas de monotonia,
tomam de tal maneira parte de mim,
que num esforço desumano,
renuncio ao que faz de mim Homem,
colaboro com os certos enleios do inevitável
e a inércia envolve-me perante o medo dos meus semelhantes.
Apercebo-me do calor que me envolve os
nós dos dedos, quando, sem vontade,
elevo o punho, num último laivo
de resistência contra o vazio, em
desespero desempenhado pela Mãe,
escondida nas flores.
Perco todo o amor pelo tédio da vida
e que morra tudo, que não me
importo e torço pela morte!
Deixo-me levar pelos ventos e,
de boa vontade, perco-me a mim.
André Moreira, LaResistance
Vive la Resistance!
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